Adriana Calcanhoto - Senhas
Eu não gosto de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...
[ meio de abril_09
FRAG MENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO
Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética:
- o mito socrático ( amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos )
- e o mito romântico ( produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão )
[ roland barthes fragmentos de um discurso amoroso 1977
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3 comentários:
Eu tambem prefiro umha ilha de flores selvagems do que um jardim botánico, umha casa na aldeia do que um predio na cidade, falar com a gente do que leela.
Adriana...no seu melhor!
Também eu não, nem nós todos, antes!
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