
não conheci nenhuma mulher que tenha voltado a amar a pessoa que desamou. não sabemos o mistério que nos desprende, porque não tivemos vontade que acontecesse.
ou tivemos? simplesmente aconteceu. que importa antes? lembrei-me duma frase de ´judas, o obscuro`, de thomas mann, que li quando tinha 14 anos.
ficou, e, porém, não sei reproduzi-la. soube que não pode ser crime, que o amor pode apenas não ser eterno. com 14 anos, acreditava que era eterno?
provável que sim, muito provável, por isso retive a tal frase sobre a despecaminação - do reconhecimento do final de amar, a quase descriminilização de deixar de amar, era preciso que doesse a alguém, sem dúvida, tais coisas sendo simultâneas, de certo modo, não o eram doutro, um resistia sempre, mas sim, que tudo - sendo tudo, tudo, seguisse,
aguentar resignação, raiva, impotência, medo, mutismo e permanência no mesmo lugar, isso não e porém, sim. foi o que senti muito antes de muito mais tarde, sentir na pele.
o outro indiferente. a fingir. a não -fingir já nada era mais possível fingir, apenas ir.
profundamente infelizes os dois. a murmuração. os muros. bater nas grades do vento como crianças no escuro. crianças nuas. arrastando-se. inventando desculpas para si e para o mundo.
para salvar a imagem face à família. a ceder. mais comum do que se imagina: a pais, irmãos, filhos. a vizinhos. dedos apontados no silêncio dos cemitérios. dedos.
de a toda uma estrutura montada. em uníssono.
com a força das estruturas. da teoria geral dos sistemas.
a ceder à ausência de autonomia interior e logo, exterior.
a morrer dia após dia. ou a sobreviver. resumidamente. a achar que talvez, a justificar justificações, a refugiar-se num futuro sem voz. irresolúvel.
iludir os dias, noites de iludir.
mas sempre sonhado. sempre sonhando. e como o sonho pode ser um animal rastejante insidioso de olhos vermelhos invertidos! e como acaba por loucamente nos projectar rumo ao ser, perto daquela primeira alegria de nos descobrirmos caminhantes em estreia de novo, de novo o coração aos saltos em ante-estreia.
agosto_08

3 comentários:
As mulheres amam...mesmo na dor de não amar...
Adorei encontrar este blogue. as palavras correm cheias de sentimentos, dores de amor e apaixonar. Coisas boas da vida.
Estou neste momento a ler um livro do Roland Barthes que se intitula "Fragmentos de um discursos amoroso". É uma obra fenomenal.
litost...
Enviar um comentário